quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Que venha 2011!

"...Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas submissas como a minha ao destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. Vivo mais porque vivo maior.
(...) 
Tudo me interessa e nada me prende... Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. De resto, com que posso contar comigo? Uma acuidade horrível das sensações e a compreensão profunda de estar sentindo...Uma inteligência aguda para me destruir e um poder de sonho sôfrego de me entreter...Uma vontade morta e uma reflexão que a embala, como a um filho vivo.
 (...)
Tenho fome da extensão do tempo e quero ser eu sem condições... Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura..."
(Fernando Pessoa)

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