domingo, 22 de agosto de 2010

Aujourd'hui






Apaixonar-se por uma ideia, uma possibilidade, é para os bravos. Não sou dada a sonhos em prazo longo. A vida sempre me cobrou a ser imediatista, mas mantinha um quê de quimera que, quase sempre, findada em frustração. No máximo que consigo planejar são as próximas férias, contando com a possibilidade de que estarei no mesmo emprego e que o chefe será impecável no cumprimento do meu calendário trabalhista. Ou a compra de um bem durável.
Possibilidades românticas a perder de vista, então... Nem pensar! Sou pele, cheiro, lembrança do concreto. Há pouco conversava com uma amiga que perdeu o namorado pra Espanha, com segundo pouso no Marrocos. Não sabe se volta e, se, nem cogita como estariam. Sofre com a impossibilidade do sim. Se aflige com a capacidade do não. Amores com prazo de validade sempre pra expirar também me inquietam. A suscetibilidade à circunstância não é pra mim. O momento em que a toalha molhada na cama ou o tubo de creme dental espremido no meio pode ser o bode expiatório para o fim de relações moribundas.
Cortejo a calmaria de quem se compromete com o hoje. Às vésperas do balzaquianismo, tenho descoberto que a vida está se tornando mais simples, leve, feliz. Não morna! Gosto de paixões que duram o tempo certo, de olhos nos olhos, da afinidade de almas que – apesar das diferenças – são cúmplices silenciosas. E, na atualidade, se bastam.
Aprendi a não precipitar etapas. O tempo sempre será maior e mais instável do que meu passo.

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